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A Importância da Escuta Ativa na Comunicação

  • Foto do escritor: Samanttha Neves
    Samanttha Neves
  • 20 de jul.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 3 de ago.

POR SAMANTTHA NEVES


Ao longo da minha atuação, uma das lições mais consistentes que aprendi é que nem todo problema percebido por uma pessoa representa, de fato, um problema coletivo. Em muitos contextos, a pressão para agir rápido pode gerar decisões precipitadas, ruído na comunicação e até prejuízo para a experiência de outras pessoas envolvidas. Por isso, antes de tomar qualquer atitude, considero essencial ouvir mais, observar melhor e compreender de onde realmente vem a situação.

Mulher com tranças preto e loiro sentada à mesa, olhar sério, em sala cinza com flores claras e decoração suave.
Retrato elegante de uma mulher sentada em uma mesa de mármore, com tranças longas em estilo ombré. Ao fundo, uma prateleira discreta com livros e uma decoração minimalista. O ambiente transmite sofisticação e tranquilidade.

Antes de tudo, acho importante me apresentar. Afinal, você vai me conhecer aos poucos por meio dos textos que publicarei aqui.


Sou Samanttha Neves, comunicadora, educadora executiva e designer de experiência. Meu trabalho investiga como a linguagem, consumo, poder, gênero, sexualidade e afetos atravessam a forma como nos relacionamos, pertencemos e disputamos espaço na sociedade. Tenho uma coluna para no SSEX BBOX, onde trago reflexões sobre os discursos que moldam o Brasil e a América Latina contemporânea, conectando comportamento, cultura, política, desejo e comunicação de uma forma acessível, crítica e didática.


Essa reflexão se tornou ainda mais clara para mim em uma experiência prática durante a transmissão online de um evento. Eu estava responsável pela parte técnica quando um participante reclamou da conexão. A reclamação rapidamente gerou tensão. O palestrante ficou ansioso, nervoso e pediu que eu resolvesse imediatamente o problema, como se houvesse uma falha técnica generalizada. Antes de fazer qualquer intervenção, porém, eu decidi escutar outras pessoas que estavam assistindo à transmissão.


Perguntei aos demais participantes como estava a conexão. A resposta foi unânime: tudo estava ótimo, fluindo bem, sem interrupções relevantes.

Naquele momento, ficou evidente que o problema não estava na transmissão em si, mas na conexão específica daquele participante. Ou seja, antes de agir de forma apressada, eu precisava identificar corretamente a origem da demanda. Essa escuta simples evitou uma reação desnecessária e protegeu a experiência do grupo inteiro.


A Pressa de Resolver sem Compreender


Vivemos em um tempo em que a rapidez costuma ser valorizada acima da escuta. Em ambientes profissionais, é comum que uma única manifestação de insatisfação seja tratada imediatamente como se representasse a realidade de todos. O resultado disso pode ser uma resposta apressada, mal direcionada e até injusta com a situação real.


Quando isso acontece, a tendência é deslocar a atenção do que realmente importa.

Em vez de investigar a causa do problema, as pessoas passam a responder ao incômodo mais visível. E nem sempre o mais visível é o mais relevante. Muitas vezes, uma demanda individual é interpretada como falha estrutural, quando na verdade exige apenas uma solução pontual. Esse tipo de reação pode parecer eficiência, mas muitas vezes é o oposto. Resolver sem escutar gera retrabalho, aumenta a ansiedade coletiva e prejudica a confiança entre as pessoas envolvidas.


Escuta Ativa como Ferramenta de Clareza


A escuta ativa não serve apenas para acolher. Ela também serve para diagnosticar com mais precisão. Quando eu escolhi ouvir os demais participantes antes de agir, não estava adiando uma solução. Estava garantindo que a solução seria adequada ao problema real.


Escutar mais pessoas ajuda a ampliar a visão da situação.

Permite perceber se estamos diante de uma dificuldade individual, de uma falha sistêmica ou de uma percepção isolada. Essa distinção é fundamental, porque cada cenário pede uma resposta diferente. No caso da transmissão, a reação imediata poderia ter sido reorganizar a operação técnica inteira, gerar ainda mais tensão para a equipe e interromper uma atividade que seguia funcionando bem para a maioria. A escuta evitou isso.


O Risco de Amplificar um Problema Individual


Um dos maiores riscos da tomada de decisões apressadas é transformar um problema individual em um problema coletivo. Isso acontece quando a urgência de resolver uma queixa específica faz com que toda a estrutura seja impactada sem necessidade. Em eventos ao vivo, por exemplo, esse tipo de erro pode comprometer a fluidez da transmissão, criar instabilidade emocional entre palestrantes e equipe técnica e desviar o foco do que realmente está acontecendo. Em contextos organizacionais, o mesmo raciocínio vale. Uma reclamação isolada pode levar a mudanças desnecessárias, intervenções precipitadas e interpretações equivocadas sobre o funcionamento de um processo.


A escuta não enfraquece a ação. Ela qualifica a ação.

Escutar Antes de Agir


Escutar antes de agir não é hesitação. É uma forma de proteger a qualidade das relações, evitar decisões precipitadas e garantir que a solução corresponda ao problema.

Na prática, isso vale para eventos, reuniões, atendimento ao público, gestão de equipes e qualquer contexto em que diferentes pessoas estejam vivenciando a mesma situação de maneiras distintas. Antes de intervir, vale perguntar: isso está acontecendo com todos ou apenas com uma pessoa? A resposta para essa pergunta pode mudar completamente o rumo da decisão.


No fundo, a escuta ativa é um recurso de inteligência relacional. Ela nos ajuda a sair da pressa automática e entrar em uma leitura mais cuidadosa da realidade. E isso faz diferença não só na resolução de problemas, mas também na forma como construímos confiança e respeito.


Se há algo que essa experiência me ensinou é que ouvir mais pessoas antes de decidir é uma prática de responsabilidade. Ela evita ruídos, reduz a chance de erro e impede que um incômodo isolado comprometa a experiência.


Nem toda pressão exige reação imediata. Muitas vezes, exige presença. E é justamente isso que torna a comunicação uma ferramenta poderosa.

A escuta ativa é um pilar essencial em qualquer ambiente de trabalho. Ela não apenas melhora a comunicação, mas também fortalece as relações interpessoais. Ao adotarmos essa prática, criamos um espaço onde todos se sentem valorizados e compreendidos. Isso é fundamental para construir um ambiente de trabalho mais humano e inclusivo.


Para saber mais, acesse nosso blog e descubra como a Comunicação Inclusiva 2.0 pode ser simples e eficaz.



Falando sobre meu olhar travesti sobre sociedade, acessos e como a comunicação pode incluir ou excluir pessoas.

 
 
 

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COMUNICADORA - EDUCADORA EXECUTIVA - RELAÇÕES PÚBLICAS

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