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Empreender Também é Resistir

  • Foto do escritor: Samanttha Neves
    Samanttha Neves
  • 25 de mai.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 3 de jun.

Por Samanttha Neves

Mulher negra em vestido dourado futurista, em pose confiante, cercada por círculos luminosos em cenário escuro e luxuoso.
Elegante e majestosa, a figura iluminada pelo ouro transmite uma aura de poder e misticismo, com detalhes intrincados que se mesclam a um fundo etéreo e cósmico.

O empreendedorismo dentro da comunidade LGBT+ no Brasil deixou de ser apenas uma alternativa profissional. Para muitas pessoas, principalmente pessoas trans e travestis, empreender virou sobrevivência, autonomia e construção de dignidade.

Hoje, cerca de 3,7 milhões de pessoas LGBT+ lideram seus próprios negócios no país. Isso representa 24% dos 15 milhões de brasileiros que se identificam como parte da comunidade. Mas existe um dado ainda mais forte: entre pessoas trans e travestis, esse número sobe para 34%, mostrando que justamente quem mais enfrenta exclusão no mercado formal é quem mais busca criar seus próprios caminhos.

E isso não acontece por acaso.

Para muitas pessoas trans, abrir um negócio não nasce apenas do sonho de independência financeira. Surge também da necessidade de existir em ambientes onde possam ser respeitadas. Quando portas se fecham no mercado tradicional, o empreendedorismo aparece como possibilidade de liberdade.

Mas empreender não elimina os medos.

O medo de desistir, de não dar certo, de não vender, de falhar ou até de não ser levado a sério acompanha muitos empreendedores LGBT+, especialmente aqueles que carregam anos de rejeição social. Por isso, falar de empreendedorismo também é falar de saúde mental.

Terapia e planejamento não são luxos. São estratégias de permanência.

Existe uma romantização muito perigosa sobre “acreditar no sonho”. Sonho sem estrutura vira exaustão. E muitas vezes o empreendedor trabalha em dois empregos, divide energia entre sobreviver e construir o próprio negócio, tentando equilibrar contas, autoestima e esperança.


Empreender exige coragem, mas também exige organização emocional.


Outro ponto importante é entender a diferença entre ser cliente da própria marca e construir um negócio sustentável. Muitas pessoas criativas começam produzindo aquilo de que gostam, aquilo que usariam, aquilo que representa sua identidade. Isso é valioso especialmente para uma comunidade historicamente invisibilizada pela indústria da moda, da beleza e da cultura. Mas existe uma linha tênue entre criar para si e criar para o mercado.

Gostar do que produz é essencial. Ter verdade no produto também. Porém, uma empresa precisa dialogar com o público, entender demandas reais e construir valor além do gosto pessoal do fundador. O erro de muitos negócios está justamente em confundir expressão individual com estratégia comercial.

Você pode amar moda, por exemplo, mas sua marca não pode existir apenas para vestir você mesma. Ela precisa vestir uma necessidade, um desejo ou uma identificação coletiva.

Ainda assim, a autenticidade segue sendo um diferencial poderoso da comunidade LGBT+ empreendedora.

Não é coincidência que setores como entretenimento, cultura, beleza e estética concentrem grande parte desses negócios. São áreas onde identidade, criatividade e representatividade se transformam em potência econômica. Entre pessoas trans, por exemplo, 20% atuam no setor de entretenimento e cultura, um índice muito superior ao da população não LGBT+.


Mesmo assim, os desafios continuam enormes.

Mais da metade das pessoas trans e travestis empreendem na informalidade. Muitas ainda enfrentam burocracias absurdas, como dificuldades relacionadas ao uso do nome social na formalização das empresas. Isso impacta diretamente acesso a crédito, previdência e oportunidades de crescimento.

Além disso, o pessimismo ainda é reflexo da exclusão estrutural: apenas 48% das pessoas trans acreditam no sucesso de negócios liderados pela própria comunidade.

E talvez esse seja o ponto mais importante desta conversa: pessoas LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, não precisam apenas de incentivo para empreender. Precisam de condições reais para permanecer.

Empreender não deveria ser uma fuga da discriminação. Deveria ser uma escolha.

Ainda assim, cada marca criada, cada serviço lançado, cada negócio liderado por uma pessoa LGBT+ no Brasil carrega algo maior do que lucro. Carrega presença. Carrega afirmação. Carrega resistência.

E talvez o verdadeiro sucesso esteja justamente nisso: construir um negócio sem precisar abandonar quem você é para existir no mercado. Fonte: https://dinellycontabilidade.com.br/mais-da-metade-da-comunidade-lgbtp-no-brasil-esta-envolvida-com-empreendedorismo/


 
 
 

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COMUNICADORA - EDUCADORA EXECUTIVA - RELAÇÕES PÚBLICAS

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